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Cuidar do Cérebro é cuidar do que seremos amanhã

20/07/2026

Cuidar do que seremos amanhã

Acha que conhece o seu cérebro? Pesa pouco mais de um quilo e meio e cabe na palma das duas mãos. No entanto, é nesse espaço tão apertado que mora tudo o que somos. 

A 22 de julho celebra-se o Dia Mundial do Cérebro, uma data instituída em 2014 pela Federação Mundial de Neurologia. Mais do que uma data no calendário, é um convite a olhar para aquilo que comanda, literalmente, tudo o resto: a forma como pensamos, recordamos, aprendemos, sentimos e nos relacionamos. 

Há a ideia frequente de que “cérebro” e “mente” são coisas separadas, uma do foro da neurologia, outra da psicologia. Não são. Uma memória que falha, uma atenção que se dispersa, um humor que muda sem motivo aparente: tudo isso é o cérebro a comunicar connosco. Tratar a saúde cerebral é, também, tratar a saúde mental e vice-versa. 

O cérebro tem cerca de 86 mil milhões de neurónios ligados entre si, por triliões de conexões, e continua a criar novas ligações ao longo de toda a vida, não só na infância. Chama-se a isto neuroplasticidade, uma das maiores razões para esperança em reabilitação neurológica. 

Estima-se que 1 em cada 3 pessoas venha a desenvolver uma doença neurológica. As doenças neurológicas são, atualmente, a principal causa de incapacidade a nível mundial e a segunda principal causa de mortalidade. Não teremos nós um papel para mudar este rumo? 

A saúde cerebral não depende apenas da genética ou do envelhecimento inevitável, mas também dos hábitos e escolhas que fazemos. Estudos recentes indicam que quase metade dos casos de demência pode, em teoria, ser evitada ou atrasada, através do controlo de fatores como a tensão arterial, a perda auditiva não tratada, o isolamento social ou o tabagismo. Esta janela de prevenção abre-se mais cedo do que se pensa: muitos destes fatores já afetam adultos jovens, uma fase da vida ainda pouco considerada na prevenção. 

É aqui que entra o conceito de reserva cognitiva, que ajuda a compreender porque é que algumas pessoas mantêm um bom funcionamento cognitivo mesmo perante alterações cerebrais. Esta reserva constrói-se através da educação, da atividade profissional, das relações sociais e, sobretudo, da estimulação intelectual contínua. Quanto mais o cérebro é desafiado, maior tende a ser a sua capacidade de adaptação. 

A reforma profissional é um momento particularmente bom para investir nesta reserva, sem descurar os passatempos: jogar às cartas, ler o jornal ou um livro, participar numa universidade sénior ou simplesmente manter conversas regulares com familiares/amigos, são formas simples e acessíveis de o fazer, ajudando a preservar funções como a atenção, a memória e o raciocínio. 

Cuidar do cérebro não é, por isso, um exercício abstrato, é uma prática concreta, feita de hábitos simples e sustentados no tempo. Pergunte-se como tem dormido esta semana, como tem gerido o stress, há quanto tempo não aprende algo novo só por prazer. 

Tão importante quanto cuidar é saber quando procurar ajuda. Esquecimentos persistentes, dificuldade em encontrar as palavras ou em gerir tarefas do dia a dia que antes eram simples, não são “coisas da idade” a desvalorizar, são pistas que merecem avaliação. 

Neste dia, o convite que aqui deixamos é simples: olhe para o seu cérebro como olharia para qualquer outro órgão vital que precisa de cuidado contínuo, porque ele não guarda só memórias, guarda-nos a nós. É para isso que aqui estamos, para o ajudar a cuidar do seu. 

Para continuar esta conversa, sugerimos o seguinte podcast: https://open.spotify.com/show/6voCMy88wRT1Dr1u1s4HUq?si=kIa2Nl1GQKqAFF-S10NS4A 

 

Psic. Inês Branco Rodrigues (Cédula OPP nº 29718)
Psic. Daniela Sistelo (Cédula OPP nº 31165)