Dia Nacional do Psicólogo – quando o cérebro também precisa de ser cuidado.
Assinala-se, no dia 4 de setembro, o Dia Nacional do Psicólogo em Portugal. O Dia Nacional do Psicólogo tem como objetivo o reconhecimento público do trabalho de todos os psicólogos e da profissão, bem como da sua ação junto da população. Este dia foi aprovado pela Assembleia da República em 2018 e coincide com o dia da criação da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), ocorrida em 2008.
O dia do Psicólogo surge como uma oportunidade para desmistificar alguns construtos outrora formados sobre o exercício e intervenção desta profissão. Neste dia, procura-se instruir a população, relativamente à importância da ação da Psicologia no estabelecimento de práticas que visam a promoção da saúde mental e bem-estar, ao mesmo tempo que se apresentam nas suas vastas áreas de intervenção (saúde, educação, trabalho, desporto e justiça).
O que é um psicólogo?
Um Psicólogo é um profissional com formação e experiência profissional em Psicologia – área científica que estuda o comportamento humano e os processos mentais associados. Em Portugal a Psicologia é uma profissão regulada. Os Psicólogos, segundo a Lei, têm de estar registados na Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) como Membros Efetivos, para poderem exercer. Este registo é de acesso público, podendo ser consultado por qualquer pessoa através do site da OPP.
A psicologia nas doenças neurológicas – uma área ainda pouco conhecida
A intervenção da psicologia no âmbito das doenças neurológicas é uma área de atuação ainda pouco conhecida, cuja divulgação apenas começou a ganhar dimensão nos últimos anos. Doenças como a Doença de Parkinson, Demência de Alzheimer, e/ou AVC’s não trazem consigo apenas limitações físicas. Em conjunto, surgem alterações cognitivas (memória, atenção, linguagem…) e emocionais (ansiedade, depressão, irritabilidade), as quais apresentam impacto tanto no indivíduo como na sua família e cuidadores que o acompanham.
Como atua o psicólogo neste contexto?
A intervenção do Psicólogo pode surgir em diferentes etapas:
- Avaliações neuropsicológicas: exame complementar de diagnóstico, que caracteriza as alterações cognitivas, apoia o diagnóstico médico e pode orientar a intervenção;
- Reabilitação cognitiva – realização de exercícios cognitivos práticos que visam a estimulação e reabilitação cognitiva e fornecimento de estratégias compensatórias às dificuldades percecionadas.
- Acompanhamento psicológico aos indivíduos com doença neurológica – realização de um acompanhamento e suporte adequados ao longo de todo o processo vivenciado (desde o diagnóstico, adesão ao tratamento, à gestão de sintomas da doença neurológica e evolução dos mesmos);
- Intervenção com familiares e cuidadores – através da promoção de estratégias de coping e prevenção de burnout, em contexto individual ou grupos de apoio.
Prevenção e Promoção do Bem Estar
Atualmente, a psicologia, para além de apresentar foco no tratamento não farmacológico das doenças mentais e neurológicas, apresenta ainda como grande objetivo a promoção da saúde e bem-estar da população geral. Através de práticas que visam a prevenção da doença mental e promoção da qualidade de vida geral, apostando na literacia e psicoeducação dirigida à população relativamente a sinais e sintomas de alerta, dinamização de atividades de sensibilização para as doenças mentais e disponibilização de materiais gratuitos e de fácil acesso.
Quando procurar um Psicólogo?
Para além da saúde física, também a saúde mental deve ser cuidada e priorizada.
Qualquer pessoa pode procurar um Psicólogo, por diversas razões e, em diferentes momentos da sua vida. A vivência de uma situação de crise não é condição obrigatória para pedir este tipo de ajuda, pelo contrário, quanto mais precoce for a procura mais eficaz será a resolução dos problemas. De igual forma, o investimento no desenvolvimento pessoal é igualmente razão válida para a procura destes serviços. No entanto, por vezes pode ser difícil dar o primeiro passo, e nomeadamente reconhecer a necessidade de ajuda ou saber onde e quem procurar.
Alguns exemplos de sinais de alerta:
- Sentimentos persistentes de tristeza
- Perda de interesse por atividades anteriormente prazerosas
- Sentimentos de desesperança
- Ansiedade excessiva, com impacto no funcionamento
- Isolamento social
Não deixe para amanhã o que pode cuidar hoje.
Maria João Pinheiro & Inês Ramos
Psicologia, CNS – Campus Neurológico