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Doenças

Parkinson

A doença de Parkinson (DP) é uma perturbação degenerativa crónica do sistema nervoso central que afeta principalmente a coordenação motora.[1] Os sintomas vão-se manifestando de forma lenta e gradual ao longo do tempo.[1] Na fase inicial da doença, os sintomas mais óbvios são tremores, rigidez, lentidão de movimentos e dificuldade em caminhar.[1] Podem também ocorrer problemas de raciocínio e comportamentais.[2] Nos estádios avançados da doença é comum a presença de demência.[2] Cerca de 30% das pessoas manifestam depressão e ansiedade.[2] Entre outros possíveis sintomas estão problemas sensoriais, emocionais e perturbações do sono.[1][2] O conjunto dos principais sintomas a nível motor denominam-se "Parkinsonismo", ou "síndrome de Parkinson".[4][8]

Embora se desconheça a causa exata da doença, acredita-se que envolva tanto fatores genéticos como fatores ambientais.[4] As pessoas com antecedentes familiares da doença apresentam um risco superior de vir a desenvolver Parkinson.[4] Existe também um risco superior em pessoas expostas a determinados pesticidas e entre pessoas com antecedentes de lesões na cabeça. Por outro lado, o risco é menor entre fumadores e consumidores de café e chá.[4][9] Os sintomas da doença a nível motor resultam da morte de células na substância negra, uma região do mesencéfalo.[1] A morte leva a uma diminuição da produção de dopamina nessas regiões.[1] As causas desta morte celular ainda são mal compreendidas, mas envolvem a acumulação de proteínas nos corpos de Lewy nos neurónios.[4] O diagnostico de um caso comum é baseado nos sintomas, podendo ser acompanhado de exames neuroimagiológicos para descartar outras possíveis doenças.[1]

Não existe cura para a doença de Parkinson. O tratamento destina-se a melhorar os sintomas.[1][10] O tratamento inicial consiste geralmente na administração do medicamento antiparkinsónico levodopa, podendo ser usados agonistas da dopamina assim que a levodopa se torna menos eficaz.[2] À medida que a doença avança e continuam a morrer neurónios, estes medicamentos vão perdendo a eficácia, ao mesmo tempo que produzem efeitos adversos caracterizados por movimentos involuntários.[2] A dieta e algumas formas de reabilitação têm demonstrado alguma eficácia na melhoria dos sintomas.[11][12] Em alguns casos graves em que os medicamentos deixaram de ser eficazes tem sido usada neurocirurgia para colocar micro-elétrodos de estimulação cerebral profunda, diminuindo os sintomas em nível motor.[1] As evidências para os tratamentos de sintomas não motores, como as perturbações de sono ou problemas emocionais, são menos robustas.[4]

Em 2015, a doença de Parkinson afetava 6,2 milhões de pessoas, tendo sido a causa de 117 000 mortes em todo o mundo.[6][7] A doença de Parkinson geralmente ocorre em pessoas com idade superior a 60 anos, das quais cerca de 1% é afetada.[1][3] A doença é mais comum entre homens do que em mulheres.[4] Quando aparece em pessoas com menos de 50 anos, denomina-se "Parkinson precoce" ou "juvenil".[13] A esperança média de vida a seguir ao diagnóstico é de 7 a 14 anos.[2] A doença é assim denominada em homenagem ao médico britânico James Parkinson, que publicou a primeira descrição detalhada da doença em 1817 na obra An Essay on the Shaking Palsy.[14][15] Entre as campanhas de consciencialização estão o Dia Mundial da Doença de Parkinson, realizado a 11 de abril, na data de aniversário de James Parkinson, e a utilização de uma tulipa vermelha como símbolo da doença.[16]